Como a rentabilidade é calculada no Consolidador?
Você já deve ter olhado seu relatório e pensado: "meu patrimônio subiu bastante, mas a rentabilidade que aparece é menor, por quê?" Ou o contrário. Este artigo explica, de forma simples, como a rentabilidade é calculada e por que ela nem sempre é o que parece à primeira vista.
Você já deve ter olhado seu relatório e pensado: "meu patrimônio subiu bastante, mas a rentabilidade que aparece é menor, por quê?" Ou o contrário. Este artigo explica, de forma simples, como a rentabilidade é calculada e por que ela nem sempre é o que parece à primeira vista.
Primeiro: "quanto rendeu" e "quanto cresceu" são coisas diferentes.
Existem duas perguntas que parecem iguais, mas não são:
- Quanto a carteira rendeu (rentabilidade %) → mede o desempenho dos investimentos, sozinhos.
- Quanto o patrimônio cresceu (em R$) → inclui também o dinheiro que você depositou ou sacou.
Exemplo rápido: você tinha R$100, depositou mais R$50 e no fim do mês tem R$152. Seu patrimônio cresceu R$52, mas você não ganhou R$52 — R$50 foi depósito seu. O ganho de verdade foi R$2. A rentabilidade olha só esses R$2.
Por isso, somar "rentabilidade × saldo" de cada ativo costuma dar um número maior que o ganho real: você acaba aplicando o percentual sobre um valor que já inclui o depósito e o próprio rendimento. O cálculo certo separa as duas coisas.
Como o cálculo funciona: o método TWR
Usamos o método TWR (Time-Weighted Return, ou retorno ponderado pelo tempo). Ele foi feito justamente para medir o desempenho sem que depósitos e saques atrapalhem o número. Funciona assim:
1. Calcula o rendimento de cada dia. Todo dia, a conta é:
Rentabilidade do dia = (patrimônio de hoje − dinheiro que entrou ou saiu) − (patrimônio de ontem) ÷ patrimônio de ontem
O resultado dessa conta é a rentabilidade daquele dia. Por exemplo: ontem você tinha R$100, hoje tem R$113 e não houve depósito nem saque → (113 − 0 − 100) ÷ 100 = 13% no dia.
2. Multiplica os dias. No fim do mês, multiplica os rendimentos de todos os dias (não é soma nem média):
Rentabilidade do período = (1 + dia 1) × (1 + dia 2) × ... − 1
Por que multiplica, e não tira média
Porque rendimento acumula: o que rende hoje passa a render amanhã. Veja:
- Dia 1: +10% | Dia 2: −10%
- Média diria: 0%. Mas a realidade é outra.
- R$100 vira R$110 no dia 1. No dia 2, os R$110 caem 10% → R$99.
- Você terminou com −1%, não 0%.
Como no segundo dia o dinheiro trabalhando era R$110 (e não R$100), os rendimentos se multiplicam. Tirar média daria o número errado.
E quando entra ou sai dinheiro (aporte e resgate)?
Aporte (você deposita) e resgate (você saca) não contam como rentabilidade — afinal, colocar dinheiro na conta não é "render". Por isso eles são descontados no cálculo do dia.
É por isso que, no dia em que você faz um aporte grande, seu patrimônio dá um salto, mas a rentabilidade daquele dia não dispara junto: o sistema tira o valor depositado antes de medir o rendimento.
E nos dias normais, sem movimentação?
Na maioria dos dias não entra nem sai dinheiro. Nesse caso, a parte do "dinheiro que entrou ou saiu" é simplesmente zero, e a conta vira a variação pura:
Rentabilidade do dia = (patrimônio de hoje − patrimônio de ontem) ÷ patrimônio de ontem
O rendimento do dia não fica zero — ele é exatamente o quanto a carteira subiu ou caiu sozinha naquele dia.
E dividendos, juros, cupons e amortizações?
Aqui está a parte que mais confunde. Esses eventos são rendimento — eles contam a favor, e não são descontados como se fossem um saque.
A lógica: quando um ativo paga um provento, o patrimônio total não muda na hora. O preço do ativo cai mais ou menos no valor pago, e esse valor reaparece como dinheiro em caixa:
- Ação vale R$100 e paga R$3 de dividendo.
- A ação cai para R$97, e você recebe R$3 em caixa.
- Total: R$97 + R$3 = R$100 — igualzinho.
O patrimônio continua o mesmo, e os R$3 entram como rendimento ao longo do tempo. Por isso, às vezes você vê a linha de um título "caindo" no dia em que ele paga juros (um título de renda fixa que paga cupom, por exemplo) — mas a rentabilidade dele continua positiva. O dinheiro não sumiu: virou caixa.
Resumo da regra: depósito e saque que você faz → descontam.
Rendimento que o ativo gera (dividendo, juro, cupom, amortização) → conta como rentabilidade.
E os investimentos no exterior, com o dólar?
Ativos internacionais são registrados em dólar e convertidos para real pela cotação do dia. Então o que você vê em reais é sempre duas coisas juntas: quanto o ativo rendeu lá fora + quanto o dólar variou.
Por isso é possível um mês em que o ativo subiu nos Estados Unidos, mas o resultado em reais ficou fraco, porque o dólar caiu e "comeu" parte do ganho na conversão. E vice-versa. Quando o dólar quase não se mexe, o resultado em reais reflete basicamente o desempenho do ativo.
Em resumo
- Rentabilidade mede quanto os investimentos renderam, separado do dinheiro que você deposita ou saca.
- O cálculo é feito dia a dia e os dias são multiplicados (não é média), porque rendimento acumula.
- Aporte e saque são descontados; dividendos, juros e amortizações contam como rendimento.
- Em dias sem movimentação, é só a variação do dia.
- Em ativos no exterior, o resultado em reais junta o desempenho do ativo com a variação do dólar.
É por isso que a rentabilidade do relatório é a forma mais justa de comparar sua carteira com referências como CDI e Ibovespa: ela mostra o desempenho real dos investimentos, sem distorção de depósitos e saques.